All made of stars                    


Faz tempo que eu não passava por aí e nem lia suas palavras. Mas você sabe, eu sou como sou e sempre acabo te revisitando. Superokei, momento confesso: eu gosto das suas palavras. Gosto do jeito que você monta as frases. Gosto do sentimento que brota no meu peito quando eu te leio. Na verdade, por mais que você duvide, eu gosto de você. Gosto mesmo, vontade de te pegar no colo, de te fazer carinho, de te pentear os cabelos. Os seus cabelos são bonitos. Eu gosto dos seus olhos. Gosto, enfim.

Você não gosta de mim; fato. Não te julgo, nem te culpo: eu não deveria ter roubado o seu homem. Tê-lo feito ser meu quando eu bem sabia que nem o queria. Tenho que admitir: sempre soube que ele era prá ser seu. Nunca, nunca meu. Eu não o amei, nem o aceitei, nunca o desejei como você o fez. Sabe, eu era menina e estava carente. Ele estava simplesmente lá. Se não fosse ele, teria sido outro a me ofertar sonhos, promessas e conforto em bandeja de latão mal acabada. Não me arrependo; a maturidade tem dessas coisas, a gente aprende a não se arrepender porque sempre cresce com os erros.

Mas ao te ler e te perceber como eu percebo, nessa minha visão ora borrada dos fatos, te percebo infeliz. Te percebo angustia pura, desejo apertado no peito, vontade de voltar a ter o que tinha, a ser o que era. Vontade de se encontrar em meio a mapas de tesouros há muito perdidos, para sempre escondidos em grutas escuras que você insiste em povoar com imagens obcenas de corpos suados se amando. Eu te pergunto, menina bonita: há quanto tempo? Há quanto tempo você não vive nem sente na pele os dedos habilidosos que um dia você lutou para voltarem a ser seus?

Eu tenho vontade de te dizer: vai ser feliz. Pega essa sua cria que você fez tentando eternizar o seu desejo mundano e busca a sua felicidade. Teimo em acreditar que você é muito para ele, em pensar que ele é rascunho dos seus sonhos – nunca arte final. Você não vai ser feliz neste pedaço de terra cercado de água por todos os lados. Volta pros seus amigos, pros seus queridos, pros seus amores idos. Larga essa gente esquisita que se apóia uns nas fraquezas dos outros: que não pode se curar nunca porque a cura representa libertação e aí ninguém sabe ser sozinho. Volta pra casa, menina do campo, abandona essas areias nas quais seus pés afundam: você está pesada.

Não tenha medo do que as minhas palavras representam: não estou almejando o que é seu e nem vou voltar a almejar. Você pintou e bordou o seu conto de fadas do jeito que mais belo e poético te pareceu, mas no fundo você sempre soube que ele voltou a ser seu pois eu não o quis mais – continuo não o querendo. Me dei conta das minhas reais necessidades, e um homem incapaz de andar soozinho nunca será o que quero. Seria simplesmente impossível. Então, não encare o que digo aqui como uma tentativa de limpar o terreno para conquistar o que quer que seja.

No fundo você me conhece, e sabe que só digo o que sinto – nem mais, nem menos. E só estou dizendo tudo isso porque realmente gosto de você. Assim, de graça. Dessas suas contradições todas. Da escolha de imagens que você faz. Do lugar em que você coloca seus pontos finais, as suas reticências. Gosto do jeito que os seus cabelos caem sobre os seus ombros. Gosto de você, enfim. Claro, entendo que nunca confie em mim inteiramente. Você tem seus motivos para isso.

Mas acredite em mim quando te digo que ele é pouco prá você. Pra qualquer uma de nós.

Carinhosamente,
F.


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Brilho Próprio

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