
Nunca sonhei em preto e branco. Os meus sonhos são sempre muito coloridos, cheios de contrastes. Nos meus sonhos o céu é sempre luminoso, esfumaçado, quase poema. Às vezes sonho com cheiros, às vezes acordo com as narinas preenchidas pelo perfume da minha subjetividade. Quase sempre é dia. Quase nunca chove. Até queria ter o dom da pintura pra ser capaz de traduzir em pinceladas os sentimentos que me arrebatam quando sou invadida pelas lembranças oníricas do meu paraíso as três da tarde caminhando pela rua – as pessoas passam e às vezes me olham, como se reconhecessem no brilho dos meus olhos o momento preciso em que me dou conta de mim. O vento bate na minha pele como um abraço afetuoso: em alguma parte de mim eu moro, em alguma parte de mim eu de fato estou. Fecho os olhos, querendo voltar no tempo. Nunca consigo. Apenas espero pelas próximas cores.





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