
Às vezes me sinto sendo de outro planeta: um que não tenha gravidade e onde as pessoas flutuem. Sou o que sou, ponto – me cansam as expectativas e rótulos. Não entendo mais quem não se banca. Não entendo pessoas de índole duvidosa, que nunca se assumem mas também não fogem de fato. Me incomoda o meio termo, por mais que às vezes ele pareça ser resposta; às vezes ele é pergunta. Eu sempre me nego – viver pela metade não vale à pena, me convenço. Talvez eu devesse aprender a ser um pouco pela metade, sabe-se lá o quanto isso seja. Um pouco pela metade, e o que seria do outro muito, que restou? Sou essa que passou agora, peito aberto na direção do horizonte, sorriso no rosto e mala cheia de sonhos. Talvez eu erre, talvez acerte, talvez ganhe o grande prêmio, talvez um dia descubra o que esse tal de grande prêmio seja. Talvez tudo seja sonho, fantasia individual ou coletiva, e lá no alto alguém um dia decida, desliguem as máquinas e acordem todo mundo. Acho que, se esse dia chegar, vou continuar sonhando, mesmo de olhos abertos.





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