All made of stars                    


Entendem porque a menina-framboesa é tudo na vida?
Então vamos pensar, minha gente.
E fazer 2008 diferente.

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Depois das últimas comprinhas de Natal, sento-me à uma mesinha no café, louca por um Tricolore Light. Enquanto o garçom rebola e se enrola prá conseguir atender a todos, sinto-me incomodada sentada numa mesa apertada entre 4 outras. É, eu sou o tipo de garota mesinha-no-cantinho-olhando-pela-janela. Mas o shopping está cheio e não rolou.

Entediada e cercada pelas sacolas de presentes, presto atenção nas conversas alheias. Sim, porque sou também o tipo de garota ouvidos-bem-abertos-prestando-atenção-a-tudo-que-é-dito-ao-redor.

Na mesa atrás de mim o papo é entre dois marmanjos engravatados. Chatos, discutem sobre o fim do CPMF. Na mesa do lado direito, três senhorinhas de cabelos devidamente tingidos e escovados conversam sobre os hoteizinhos para cachorros nos quais deixarão seus respectivos rebentos durante a viagem de final de ano para a Polônia. Na do lado direito três adolescentes EMOs falam sobre suicídio coletivo (acho que talvez não fosse exatamente isso, mas certamente algo assim).

Mas eu não conseguia ouvir o que se passava na mesa à minha frente, porque a pilha de sacolas de presentes formava uma verdadeira barreira acústica, além de não me permitir um ângulo de visão favorável à leitura labial das três mulheres na faixa dos 30 que conversavam – também sou o tipo de garota leio-lábios-quando-não-consigo-ouvir-direito-o-que-é-dito-a-certa-distância-de-mim. Então, simplesmente, levantei-me da mesa e mudei de lugar com as sacolas de presentes, não sem antes esbarrar nos adolescentes EMOs que me fuzilaram com olhares de ódio. Ou de sofrimento, não deu muito prá identificar os olhares por baixo de toda aquela maquiagem.

Depois de devidamente instalada em meu novo posto de observação, pedi o café ao garçom do tipo de garoto-de-cidade-pequena-que-veio-para-Sampa-ser-modelo-e-enquanto-a-vida-não-melhora-faz-bicos e estiquei minhas orelhas na direção das três que, certamente, me entreteriam enquanto eu permanecesse no local.

Não poderia estar mais correta.

Loira: E então, quando percebi que ele estava mesmo tendo um caso, fui à loucura.
Morena: Pediu o divórcio?
Cabelo de cor indefinida: Contratou um matador de aluguel?
Loira: Não. Muito melhor. – Dá um gole de seu café Nutrella – Comprei um colar H. Stern di-vi-no.

Risadas das outras duas.

Loira: É o mínimo que aquele desgraçado merecia.
Morena: Você é louca.
Loira: Louca, eu? Louca seria me divorciar. Ter que me virar com uma pensão miserável, tal qual ele dá para a ex-mulher? Ter que começar a trabalhar prá pagar as minhas contas?
Cor indefinida: Nunca. Fez bem.
Morena: E ele, disse o que quando viu?
Loira: Ele não viu ainda. Paguei no cartão, e ainda dividi em 10 vezes.
Morena: Deveria ter pago à vista. Assim a tacada era de uma vez só.
Loira: Nunca, meu bem. Parcelado é mais gostoso. A cada mês ele vai ter a sensação de faltar o chão a seus pés. Prefiro a dor crônica à aguda, que é mais forte mas acaba logo.

Tempos modernos.

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Okei, São Paulo tem suas coisas boas.

E não tô falando do Mc Donald’s Escoteiro, 24 horas sempre alegre e bem disposto; mas São Paulo tem destas coisas de alguém te chamar prá fazer algo, você jurar que não vai estar na cama depois das 2 da manhã e de repente chegar em casa as 5, felizinha dos amigos que tem e com a saudade de um deles mortinha da silva sauro. Mesmo que isso signifique desistir da corrida matinal, porque é por um bom motivo.

São Paulo tem essa coisa de ter sempre algo acontecendo. A cidade não pára, a cidade só cresce, luzinhas cintilantes piscando o ano inteiro, apenas aumentando na época de Natal. Aposto que é uma das únicas cidades do mundo que conseguem ter, à meia-noite, trânsito em sua principal avenida. A Paulista lotada, hoje, me pareceu mais etérea e menos sofrida.

E tem os paulistas, minhas doces pimentas, que mudam tão pouco em sua composição original ao mesmo tempo em que são veneno ou remédio, dependendo de pequena variação na quantidade de substâncias.

Os paulistas são gente cabeça boa, aberta. Escancarada na verdade. Se você for gay e chegar de uma longa temporada no exterior e seu namorado te chamar para ir numa festa da Vogue, não se surpreenda se acabar em uma festa surpresa na qual todos os seus amigos estarão presentes, Tsunamis à vontade. Só São Paulo consegue te deixar cansado nas férias. A temperatura é alta mesmo quando a cidade alaga.

Hoje estou um pouco enamorada por São Paulo. Suas luzes, suas cores, seus cheiros e trajetos. Seus porteiros que pedem o número de seu CPF – não pode ser RG, Bigode? – na entrada do prédio do amigo. Pessoas que se apaixonam por novidades com a mesma rapidez com que chegam à conlusões tais como, “a intensidade de um relacionamento é diretamente proporcional à complexidade da lição a ser aprendida no momento”. E tenho dito.

É fácil amar São Paulo: basta você não morar nela.
* Foto: vista da cidade pelas margens do Rio Pinheiros. Devidamente photoshopada, mas bonita de se ver.

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Prá quem gosta de conversinha, tem blog novo na área!!!

Façam propaganda, distribuam panfletos, adicionem nos feeds, escrevam na testa!

PS_Preciso decidir de uma vez por todas se viro site ou apenas mudo o template do meu brógui. Ou melhor, se mudam para mim! Fui inventar de fazer sozinha e deu nisso: o título veio parar no meu nariz. Esperando
Señor Fastolf arrumar a meleca que eu fiz! Sorry everyone!

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Hoje eu acordei e resolvi me levar pra passear.

Eu sabia que eu queria caminhar, então me fiz companhia andando até a vila, observando o vai e vem das ondas do mar, de um lado para o outro, infinito e inefável. Prestei atenção nas pessoas e sorri para todas aquelas cujos olhos cruzaram os meus.

Depois, na volta, como estava sentindo muito calor, fui comigo até a praia na frente de casa e demos um mergulho, sem nos importar muito com a plaquinha de “imprópria” pendurada no poste. A praia estava deserta, exceto pela duplinha de gaivotas que disputava um peixe há alguns metros de nós. A água estava morna e, depois de alguns minutos, resolvemos ir para casa tomar um banho.

Eu e eu pegamos o carro e fomos até o centro. Entrei comigo na livraria e compramos o novo romance da Marian Keyes, jurando para nós mesmas que este seria melhor do que o último. Depois fomos até a lanchonete e comemos uma tortinha de espinafre, tomamos uma coca e depois um café.

Liguei para o Ick, mas ele não estava no estúdio e então a visita ficou pra semana que vem. Viemos até a internet, vimos que o resultado do concurso de contos ainda não saiu, eu fiquei um pouco frustrada mas me consolei. Fuçamos uns e-mails, respondemos algumas mensagens no orkut e resolvemos postar no blog.

Tenho sentido solidão, às vezes tristeza e bastante saudade, mas tenho me confortado. Quando sinto fome, eu me alimento. E quando sinto vontade de carinho, durmo acariciando meus cílios. E assim tenho cuidado de mim mesma.

Hoje eu acordei carente, em dúvida sobre uma porção de coisas e até um pouco triste. Mas eu meio que me dei colo.

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O telefone toca, número desconhecido:

- Alô?
- Fulana?
- Sim, sou eu. Quem fala?
- O Homem Da Sua Vida.
- Hein?
(silêncio)
- Oi, Fulana. É o Sicrano.
- Nossa, quanto tempo, tudo bem Sicrano?
- Tudo bem sim, e você?
- Tudo, graças a Deus.
(silêncio)
- E aí?
- Ahhh... Então, Fulana, você está ocupada, quer que eu te ligue depois?
- Não, imagina. Pode falar. Que surpresa, não nos falamos há mais ou menos... Ahm... Uns dois anos?
- Dois anos e cinco meses.
- Uau! (silêncio) Que exatidão.
- Então Fulana... E depois de todo este tempo, eu estou te ligando pra te perguntar uma coisa.
- Hum... Okei, pode perguntar!
- Porque é que a gente não se viu mais?
(silêncio)
- Como?
- É, num dia estávamos saindo e trocando juras, no outro nunca mais nos vimos.
- Hum, na minha visão não foi bem assim que aconteceu, mas de qualquer forma... Porque é que você quer saber disso, depois de tanto tempo?
- Porque eu estou fazendo análise sabe... Três vezes por semana, e meu analista me deu essa lição de casa, de te procurar e perguntar o porquê de nunca mais termos nos visto.
- Ah, você está fazendo terapia?
- Não é terapia. É análise.
- Ah, sim, me desculpe.
- Três vezes por semana.
- Ah, mas isso é excelente!
- O que você quer dizer com isso? Que eu sempre fui completamente fodido?
(silêncio)
- Não... É claro que não, imagine! Me desculpe, eu não quis...
- Deixa pra lá. Esquece. Eu, supostamente, não devo me importar com a opinião das pessoas a meu respeito, esta é outra lição de casa que meu analista me deu.
- Eu não sabia que analistas davam lições de casa.
- Eles dão.
(silêncio)
- Então, Fulana, a pergunta...
- Ah, sim. É claro. A pergunta. Bem...
(silêncio)
- O que quer que seja que tenha acontecido, você pode me falar. Eu agüento.
- Bem, Sicrano, eu não sei qual a melhor forma de te dizer isso, mas...
- Mas...?
- É que, bem... Você nunca mais me ligou!
(silêncio)
- Como?
- Sim, é verdade. Num dia você veio aqui em casa, era véspera de feriado. Passamos a noite juntos e você disse que ia me ligar depois do feriado, que trabalharia no feriado... E não me ligou mais!
(silêncio)
(silêncio)
(silêncio)
- Sicrano?
- E você não me ligou uma única vez?
- Bem, eu...
- Você dizia que gostava tanto de mim e não me ligou uma única vez? Dizia que nunca tinha sentido por ninguém o que sentia por mim e não correu atrás do homem da sua vida?
- Bom, na verdade eu nunca disse nenhuma dessas coisas, mas bem, eu te liguei sim!
- Hein?
- Sim, eu te liguei. E você disse que estava em reunião e que me ligava depois. Como você não me ligou, eu te liguei na outra semana mas você também não atendeu ao celular.
- Como? Eu não atendi ao celular?
- Não. E depois de um tempo fiquei sabendo pelo Beltrano que você estava namorando. E bem, aí eu... Achei de bom tom não voltar a te ligar.
(silêncio)
(silêncio)
(silêncio)
- Hahahahahahahaha, quá quá quá quá, kikikikikiki, hahahahahaha!
- Sicrano?
- Me desculpe, Fulana, mas... Hahahahaha!
(silêncio)
- Ai, ai... E esse tempo todo eu achando que eu é que tinha sido rejeitado!
- Bem, eu...
- E na verdade eu é que não quis mais nada com você! E acho que até me lembro o porquê!
- Ham...
- Quer saber o porquê?
- Não, na realidade não me faz muita diferença, mas...
- Como assim não te faz diferença? Você não tem vontade de saber o porque de ter sido rejeitada?
- Bom, na verdade não, quer dizer, isso já faz tanto tempo que eu... Bem, eu estou namorando, então seja lá qual for o motivo, não faz mais diferença hoje em dia...
- Não?
- Não mas... Bem, se isso fizer parte da sua lição de casa na análise você pode me dizer.
(silêncio)
- Como assim? Você está sugerindo que TE dizer alguma coisa sobre MIM poss ser lição de casa da MINHA análise?
- Não, eu só quis...
- Você que vá fazer análise pra ter as suas próprias lições de casa e aí me ligue e pergunte o porque de eu não ter querido mais nada com você!
- Como?
- Passar bem!

Ligação encerrada.

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# 1

Ele: 40 anos, atleta, recentemente passou uma temporada em Pekin realizando visita técnica para a acomodação da equipe brasileira de velejo que irá participar das olimpíadas de 2008. Acorda todos os dias com o raiar do sol e se joga no mar com seu windsurf. Já foi casado – ajuntado, na verdade – mas não tem filhos. História de vida mal resolvida em relação à família, a mãe se suicidou quando ele tinha 4 anos e até hoje ele guarda um complexo de rejeição daqueles. Tem uma irmã mais velha e um irmão mais novo, o “ás” da família – e ele se sente inferiorizado em relação a ele também.

Ela: 32 anos, publicitária mas não exerce a profissão. Trabalha como assessora do pai na construtora da família, quando consegue acordar antes das 10 sem ressaca da noite anterior. Baladeira de plantão, seus melhores amigos são DJs gays que conheceu na noite. Tem cartão de crédito sem limite e sem anuidade pelo resto da vida, vinculado à conta conjunta que tem com o pai. Família de propaganda de margarina, pais bem casados há 40 anos, filha única. Namorou 7 anos e foi trocada pela secretária. Não tem filhos.

# 2

Ele: 29 anos, gerente geral de uma marca presente nos melhores shoppings da cidade. Estudou publicidade mas trocou a profissão quando recebeu uma oferta mais interessante, que nunca se concretizou. Foi casado por 4 anos com a namorada do colégio, separado há seis meses, sem filhos. Fumante e sedentário, justifica a falta de aptidão nos esportes em função de um problema nos ligamentos do joelho, que nunca foi tratado. Passará o reveillón em uma chácara alugada com os oito melhores amigos, todos solteiros e na casa dos 30 anos. O Carnaval será em Salvador e a Páscoa em Olinda. Já está pagando as férias de julho: 10 dias em um navio-balada com a turminha de solteiros trintões.

Ela: 24 anos, arquiteta recém-formada. Possui um escritório de arquitetura em um dos conjuntos comerciais mais caros e luxuosos da Faria Lima, em sociedade com o pai. Família tradicional, pais casados há 30 anos, duas irmãs mais velhas – uma advogada e a outra jornalista. Atleta de triathlon, corre 15 km todos os dias pela manhã, nada 3000 metros na hora do almoço e pedala a noite pelas ruas da cidade com o grupo Night Bikers. Namorou por 3 anos e está solteira há 2. Passará o reveillón com a prima e amigas em Cambury, no Carnaval estará participando do meio Ironman em Florianópolis e a Páscoa passará trabalhando: é responsável pela reforma de 5 lojas na Oscar Freire, programada para o início do ano que vem.

# 3

Ele: 32 anos, músico participante de uma banda de reggae. Não fez faculdade por pura preguiça. Mora num quartinho no fundo da casa dos pais, já de idade, em um bairro afastado do centro. Largou o emprego em uma corretora de ações para tentar a vida nos palcos. Isso faz 3 anos e, até hoje, o máximo que conseguiu foi tocar 4 vezes no mesmo mês. Nunca foi casado e não tem filhos.

Ela: 23 anos, psicóloga recém-formada, trabalha em um hospital público em troca do título de especialista. Mora com a mãe e a irmã em um dos melhores bairros da cidade. Nos finais de semana gosta de acordar cedo para correr com um grupo de amigos da academia. Uma vez a cada quinze dias atua como voluntária em um centro de reabilitação de dependentes químicos. Namorou por um ano e meio, não tem filhos.

# final

Todos os relacionamentos foram encerrados nos últimos 30 dias e os envolvidos se questionam incessantemente o que foi que deu errado.

# fact

Os dispostos se atrem, os opostos se distraem.

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juliano-me-myself says:
tah dificil de te achar, e tenho procurado!
raised in translation says:
também ando me procurando, quem sabe não me acho?
juliano-me-myself says:
então me ajuda. onde foi que você se achou, da última vez?
raised in translation says:
na classe econômica de um avião rumo a Lima. sabe aqueles microsegundos que antecedem o pouso? quando os comissários de bordo se dirigem a seus assentos e afivelam os cintos?
juliano-me-myself says:
fala mais.
raised in translation says:
aquela luz do dia em Lima. o brilho da noite na caje das pizzas. o sol se pondo em Cuzco, e nascendo também em Cuzco. as ruínas e o frio da manhã em Machu Picchu, o sorriso de Melissa em Amantàni, o Jeva e a Juju descendo a rua em Arequipa de mãos dadas.
juliano-me-myself says:
wordless
raised in translation says:
speechless
juliano-me-myself says:
as cores eram mais fortes dentro de você do que na paisagem que você via?
raised in translation says:
as cores são sempre mais fortes dentro do que fora. cores…
juliano-me-myself says:
cores de Almodovar…
raised in translation says:
cores de Frida Kahlo, cores...
juliano-me-myself says:
passeio pelo mundo...
raised in translation says:
passeio pelo mundo.
juliano-me-myself says:
menina-poema.

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Olha, você, vem aqui pertinho e deixa eu te contar um segredo: a vida pode sim ser assim tão simples. E prá ser sim assim tão simples é só olhar o redor, significar as coisas que devem ter significado e deixar o resto prá lá. Os verdadeiros problemas nunca são esses que causam um pequeno aborrecimentozinho as seis da tarde, então redimensiona e se livra dos pequenos aborrecimentos, que por estes não vale a pena se aborrecer.

Lembra quando te disseram que você tinha que ser assim ou assado? Mentiram. Coitados, não tiveram a intenção, tentando concertar erros e defeitos passados através da sua vida e das suas escolhas. Então os deixa viver a vida deles e viva a sua: ninguém é obrigado a corresponder às expectativas de ninguém – e isso vale prá todos.

Então te busca. Te procura em todas estas pequenas coisas que formam o todo da tua vida e sorri pro dia. Olha que milagre esse pássaro, esse cheiro, esse vento, e tudo isso está aí prá você desfrutar. Não te preocupes com o futuro, viva seu presente que ele já é o futuro chegado. Te preocupes com o que é correto, não te enganes e nem aos outros: o que é da tua vontade é direito adquirido, e depende apenas de você mesma.

Pega todos os teus erros, não precisa revirar a caixa, mas pega os erros e aprende com eles. Não os erros do passado, que passado assim como futuro não existe no presente. Mas estes errinhos todos pequenos e tolos que você sabe que anda cometendo no teu dia a dia e cresce. O que te faz bem? Faça o que te faça bem, corta o cabelo, vai ao cinema ou pruma casa no meio do mata e te desfruta. Você é o bem mais precioso que existe na vida, teu corpo é teu templo e a forma como lida com ele é o que faz com seus sentimentos.

Vem prá cá, se olha no espelho e sorri pro que vê. Aceita. Deseja. Muda.
Te amo, e to aqui.

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Existe apenas uma coisa mais chata do que quando os problemas acontecem: ter que solucioná-los. Sim, porque um problema nunca vem sozinho, vem sempre acompanhado de mais dois ou três que, de perto, são bem maiores do que o primeiro que nos tirou o sono.

O assalto da casa de praia por exemplo. Não foi só o prejuizo do lap top, da câmera digital, dos tênis das amigas ou da sexta temporada de sex and the city. Não foi só isso não, foi e está sendo todo o rol de soluções-problemas que estão tendo que ser adotadas para que o primeiro problema não se repita de novo.

O primeiro impulso, de pegar um cachorro, já rendeu seus frutos e continuará rendendo pelos próximos meses. Eu não sabia que a cinomose era uma doença tão filhadaputa: além de matar Luizinha ainda vai continuar em todos os lugares em que ela relou pelos próximos meses. Aí tem a conta da veterinária, todos os remédios e os dias em que ela ficou internada. O cachorro bravo e babão que viria duas semanas após Luizinha vai ficar pra janeiro, e isso se eu for capaz de desinfetar com amônia quaternária – believe me, cara pra caramba – todos os lugares e roupas e colchas e carros e chãos e paredes nas quais ela chegou a encostar.

Solução problema número 2: a reforma do muro da minha casa, que implicava no corte de árvores para que a cerca elétrica pudesse ser instalada. Não vou me ater aos detalhes burocráticos do que significa obter autorização para cortar 3 árvores numa cidade cujos 86% do territorio são áreas de preservação ambiental, ia ser chato. O que importa é que, quando finalmente as árvores estavam sendo cortadas, um dos galhos caiu sobre o fio telefônico de casa, rompendo-o. Relógios de água e luz tiveram que ser trocados de lugar, o cavalete ficou alto e a sabesp não conseguiu religar o relógio. Duas visitas do técnico da telefônica depois – sem solução – e quem teve que resolver o problema foi o técnico do alarme, que precisava da linha telefônica para que a central possa ser avisada cada vez que a vizinhança se vir assolada pela sirene infernal daqui de casa – meu novo brinquedinho.

Solução-problema número 3: a reforma do meu próprio quarto. Pinta-se uma parede de vermelho e as paredes brancas automaticamente deixam de ser brancas e tornam-se a visão amarelada do inferno. Fita crepe daqui, fita crepe dali e quando finalmente as paredes voltam a ser brancas os rodapes se transformam em tacos de madeira embolorados, sujos e manchados. Quando tudo finalmente esta lindo e maravilhoso, é a janela de madeira que se mostra extremamente feia, o chão cheio de pingos de tinta, jornais grudados nesse melequê todo e uma Flavia coberta de tinta dos pés a cabeca cruzando a rua descalçaa, indo pedir querosene pro vizinho pra tentar voltar a ser gente.

De um dia para o outro me transformei em um verdadeiro mestre de obras. Meu amigo que resolver me fazer uma visita surpresa no meio da tarde de sábado me apelidou de Dona Mel e seus 11 maridos: durante os 15 minutos exatos em que suportou estar dentro da minha casa – e nem era na sala, era na varanda vendo os pássaros e o céu azul – me viu dando ordem para uns 4 caras diferentes, do eletricista ao pintor do portao, e foi embora antes que eu começasse a mandar nele também. Meus companheiros dos últimos 4 dias foram os técnicos do alarme, da cerca elétrica, o caseiro da casa da frente, os dois irmãos que limpam coqueiros, o eletricista, o pintor, os caras que vieram tirar os tocos das árvores, os que vieram tirar o poste de energia velho, o menino da rua de cima que me ajudou a ser vidraceira por um dia, a vendedora de luminárias, a de pisos e a da loja de materiais de construção, que de tanto me ver aparecer por lá agora me cumprimenta com beijinho e me chama de “amor”.

Ao final do preparo, adiciona-se um beijinho do namorado, o arroz com feijão da sogra e uma lata de água-raz, que é o que garante que os dois me reconheçam como a Flavia ao final de cada dia.

E livrai-nos de todo o mal, amém.

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Brilho Próprio

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© 2007 Flavia Melissa
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